Juiz de Fora está prestes a conhecer o Teatro Paschoal Carlos Magno

Publicado em 06/12/2017 13:29  | Turismo

Juiz de Fora está prestes a ganhar mais um espaço onde será possível vivenciar a arte em suas mais variadas formas. As obras do Teatro Paschoal Carlos Magno estão em fase de acabamento. “A previsão é que a obra seja entregue nos próximos meses”, afirmou o prefeito de Juiz de Fora, Bruno Siqueira.

A previsão é que a finalização ocorra ainda no mês e dezembro. Ainda neste mês, a administração do espaço deverá ser repassada à Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa), responsável pela política cultural do município. Até então, o acompanhamento vem sendo feito pela Secretaria de Obras. Mas a abertura do espaço não deve ser imediata ao término das obras, já que o imóvel passará pelas avaliações necessárias para a liberação do alvará de funcionamento.

A cidade esperou quase quatro décadas pelo teatro, localizado na rua Gilberto de Alencar, atrás da Igreja São Sebastião, na região central de Juiz de Fora. O equipamento começou a ser construído em fevereiro de 1981, mas, devido a problemas verificados no solo, os trabalhos de construção foram interrompidos em 1983, já que a verba foi destinada às obras necessárias na estrutura do terreno e nas bases do edifício. A partir daí, falta de financiamento e questões burocráticas emperraram a continuação das obras.

Com as obras abandonadas por vários anos, a retomada ocorreu em 2015, quando foi realizada licitação, com orçamento de R$ 6.150.000,00, garantido pela Prefeitura de Juiz de Fora junto à Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemig).

O projeto inicial passou por alterações, sob responsabilidade do arquiteto da Secretaria de Obras da Prefeitura de Juiz de Fora, Leonardo de Paula, e do escritório Skylab Arquitetos, com suporte da Fundação Nacional de Artes (Funarte). A empresa Vero Construções Engenharia venceu a licitação para a implantação total do projeto.

O novo projeto permitiu o aproveitamento do subsolo para instalação de camarins, salas para ensaio, sala de geradores, entre outros espaços. O teatro contará com sala de exposições, café, salas de ensaios e de reuniões e um teatro com capacidade para abrigar 400 pessoas.

Hoje, quem passa pela rua já pode ver o imponente teatro, que tem área construída de 2.080,42 metros quadrados, em cores branco, cinza e amarelo. A calçada, larga e espaçosa está finalizada. “Estrutura, alvenaria, instalações, sistema de climatização, forro e pintura também estão finalizados. A implantação de poltronas, cortinas, equipamentos cênicos, carpetes, piso externo, gradil frontal e vidro de fechamento à sala de exposição estão em andamento”, explica o prefeito.

O modelo de gestão ainda não foi definido, mas a previsão é que o espaço abrigue espetáculos teatrais, exibição de filmes e apresentações de dança.

“Avanço para a cultura local”

“Após mais de 30 anos, nossa administração conseguiu recursos para finalizar esta importante obra para a população de Juiz de Fora. Termos retomado e finalizarmos a obra é um avanço para a cultura local, pois o teatro estará aberto a todas as manifestações de arte. Com apresentações de teatro, dança, música, artes plásticas e audiovisuais, atendendo à classe artística da cidade, que sonha com a inauguração desse espaço desde 1981, quando o ex-prefeito Mello Reis começou a implantação da estrutura do espaço. Estamos muito satisfeitos de ter tirado mais essa obra do papel e estarmos prestes a entregar, como diversas outras obras do município nas áreas de saúde, educação, mobilidade, abastecimento de água, saneamento, contenção de encostas, habitação, entre outras”, destaca o chefe do Executivo municipal.

 

Teatro municipal

No ano que antecedeu sua morte, o poeta, dramaturgo e diretor teatral Paschoal Carlos Magno veio a Juiz de Fora, em 1979, para assistir a uma exibição de uma companhia de teatro local. Diante do público, o teatrólogo fez um apelo ao então prefeito da cidade, Mello Reis, conseguindo convencê-lo a construir um teatro municipal. O início das obras, sob responsabilidade da Prefeitura de Juiz de Fora, se deu dois anos depois da visita.

Quem foi Paschoal Carlos Magno?

Filho dos italianos Nicolau Carlos Magno e Filomena Campanella Carlos Magno, Paschoal Carlos Magno nasceu no Catete, bairro da cidade do Rio de Janeiro, em 13 de janeiro de 1906. Falecido na mesma cidade, em 24 de maio de 1980, Paschoal foi diplomata de carreira, mas teve como grande paixão as artes, e, em especial, a literatura e o teatro.

Lançou livros; fundou a Casa do Estudante do Brasil, no Rio de Janeiro, destinadas a estudantes sem recursos; promoveu feiras de livros; foi premiado pela Associação Brasileira de Letras (literatura e teatro); fundou o Teatro do Estudante do Brasil, uma de suas maiores criações; em sua casa, no bairro de Santa Tereza, inaugurou o Teatro Duse, com cem lugares; promoveu, junto ao Ministério da Educação e Cultura, a “Caravana da Cultura”, que levou espetáculos a cidades do Rio de Janeiro, de Minas Gerais, da Bahia, de Sergipe e de Alagoas. Em 1950 foi eleito vereador pelo Distrito Federal.

Em Paty de Alferes (RJ), fundou a Aldeia Arcozelo, registrada como Fundação João Pinheiro, destinada a ser um centro de repouso para artistas e colégio de artes. Criou a "Barca da Cultura", que visita 57 cidades do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.