Lei obriga informação sobre presença de lactose em alimentos

Publicado em 10/10/2016 11:20  | Alimentação

Fabricantes de alimentos terão que indicar nos rótulos quando houver a presença de lactose nos produtos. E ainda, alimentos cujo teor original de lactose tenha sido alterado deverão informar o teor de lactose remanescente. As determinações estão previstas na Lei 13.305, publicada no dia 5 de julho, e que ainda será regulamentada. O autor da proposta, senador Paulo Bauer (PSDB-SC), justificou a iniciativa citando resultados de diversos estudos que apontam a elevada ocorrência de intolerância à lactose no Brasil. As indústrias têm o prazo de 180 dias, contados a partir da publicação, para se adequarem.

Intolerância à lactose

Intolerância à lactose é a incapacidade parcial ou completa de digerir o açúcar existente no leite e seus derivados. “Ela ocorre quando o organismo não produz, ou produz em quantidade insuficiente, uma enzima digestiva chamada lactase, que quebra e decompõe a lactose, ou seja, o açúcar do leite”, explica a gastroenterologista Maria Torres.

Isso faz com que essa substância chegue ao intestino grosso inalterada. Lá ela se acumula e é fermentada por bactérias que fabricam ácido lático e gases, promovendo maior retenção de água e o aparecimento de diarreias e cólicas. Os sintomas variam de acordo com a maior ou menor quantidade de leite e derivados ingeridos.

Pesquisas mostram que 70% dos brasileiros apresentam algum grau de intolerância à lactose, que pode ser leve, moderado ou grave, segundo o tipo de deficiência apresentada.

Tipos

Deficiência congênita– por um problema genético, a criança nasce sem condições de produzir lactase (forma rara, mas crônica);

Deficiência primária– diminuição natural e progressiva na produção de lactase a partir da adolescência e até o fim da vida (forma mais comum);

Deficiência secundária– a produção de lactase é afetada por doenças intestinais, como diarreias, síndrome do intestino irritável, doença de Crohn, doença celíaca, ou alergia à proteína do leite, por exemplo. Nesses casos, a intolerância pode ser temporária e desaparecer com o controle da doença de base.

Diagnóstico

Além da avaliação clínica, o diagnóstico da intolerância à lactose pode contar com três exames específicos: teste de intolerância à lactose, teste de hidrogênio na respiração e teste de acidez nas fezes.

No primeiro, o paciente recebe uma dose de lactose em jejum e, depois de algumas horas, colhe amostras de sangue para medir os níveis de glicose, que permanecem inalterados nos portadores do distúrbio.

O segundo considera o nível de hidrogênio eliminado na expiração depois de o paciente ter ingerido doses altas de lactose e o terceiro leva em conta a análise do nível de acidez no exame de fezes.

Tratamento

A intolerância é uma carência do organismo, que pode ser controlada com dieta e medicamentos. No início, a proposta é suspender a ingestão de leite e derivados, a fim de promover o alívio dos sintomas. Depois, esses alimentos devem ser reintroduzidos aos poucos até identificar a quantidade máxima que o organismo suporta sem manifestar sintomas adversos.

Matéria publicada na 26ª edição da revista Conexão Comércio. Leia mais aqui.