Mudanças de hábito podem conter o avanço de casos de miopia

Publicado em 31/10/2017 13:33  | Saúde

Nos últimos 50 anos, o número de indivíduos diagnosticados com miopia duplicou. Estima-se que em menos de três anos, ou seja, em 2020, um terço da população mundial terá o problema na visão. Em 33 anos, a previsão é que metade da população mundial será míope.

“A miopia ocorre quando o olho é comprido ou curvo demais, o que faz com que a luz não atinja a mácula, um ponto específico do globo ocular. O principal sintoma da miopia é a dificuldade em enxergar de longe e visão embaçada. Geralmente, a miopia surge durante o desenvolvimento do indivíduo, podendo começar nos primeiros anos de vida até os 23 anos, em média”, explica a oftalmologista Leda Machado Silva.

Se não for detectada e corrigida com lentes, a miopia pode progredir e, com o tempo, aumentar significativamente o risco de catarata, glaucoma, desprendimento da retina e maculopatia míope. Além disso, está entre as três primeiras causas de cegueira permanente no mundo.

“Epidemia global de miopia”

O professor de desenvolvimento da visão e decano da Faculdade de Optometria da Universidade de Houston, nos Estados Unidos, Earl Smith é um dos pesquisadores à frente de um estudo que pretende investigar as causas e possíveis tratamentos da doença. "Estamos em meio a uma epidemia global de miopia", afirma o professor.

Tal epidemia tem mais incidência entre os jovens do leste da Ásia, em países como China e Coreia do Sul, onde o problema afeta entre 80% e 90% dos estudantes que concluem o Ensino Médio. Além disso, há evidências de que a porcentagem também esteja crescendo nos EUA e na Europa. Em outras regiões do mundo, embora os números não sejam tão alarmantes, a condição também avança.

“Em situações onde as demandas educacionais são intensas, as pessoas têm muita tendência a se tornarem míopes. Isso e o fato de elas passarem mais tempo em lugares fechados do que ao ar livre”, disse Smith em entrevista publicada no site da universidade.

Causas

Os especialistas acreditam que a genética tenha um papel no desenvolvimento da miopia, mas não é o único fator. "Há algo em nosso comportamento e nosso ambiente que está contribuindo para o aumento de casos de pessoas míopes", garante Smith. "A demanda educacional cada vez mais exigente e o fato de se passar mais tempo em espaços fechados são fatores que contribuem para que uma pessoa se torne míope. Nas situações em que há uma expectativa educacional alta, é mais provável que as pessoas desenvolvam miopia. Considere nossos próprios estudantes de optometria como exemplo: aproximadamente metade se torna míope durante os quatro anos de estudos aqui", contou o professor da universidade de Houston.

Smith e sua equipe estão agora se debruçando sobre os fatores ambientais, como a exposição a certos tipos de luz, que podem ter um impacto sobre o crescimento do globo ocular que leva à miopia.

Prevenção

A miopia não tem cura nem é reversível, mas o uso de óculos, lentes ou colírios pode impedir ou desacelerar o avanço da doença. Também há cirurgia com laser que altera a forma do globo ocular para corrigi-lo, embora esse procedimento não seja recomendado em crianças ou jovens que ainda estão em processo de crescimento. Cada método varia de acordo com o nível da doença e do ritmo com que ela avança.

A maioria dos pesquisadores concorda que estimular crianças a brincar ao ar livre ajuda a reduzir o risco de desenvolver o problema. Também há estudos mostrando que, ao brincar ao ar livre, a miopia infantil pode avançar num ritmo mais lento. Os especialistas acreditam que isso tem a ver com o fato de que os níveis de luz no exterior são muito mais altos que no interior.

Por outro lado, passar muito tempo focando a vista em objetos muito próximos, como lendo, escrevendo ou usando dispositivos portáteis como celulares, tablets ou laptops, pode aumentar o risco miopia.

“Descansar a vista também é uma prática recomendável principalmente para quem trabalha com computadores e livros. O ideal é ficar ao menos cinco minutos olhando para longe, isso ajuda a relaxar os músculos”, aponta a médica.

Matéria publicada na 30ª edição da revista Conexão Comércio. Clique aqui para acessar todo o conteúdo.